domingo, 21 de fevereiro de 2010

A crise, o sindicato e as formigas.

Por Wilson Santos, 19/04/2009.


Crise! Crise! Crise! Anunciam os porta-vozes do sistema capitalista. Bolsas despencando, empresas quebrando, desempregos em massa. A história é antiga, mas a cada período o ciclo das crises se torna cada vez mais curto e brutal para a classe trabalhadora. Analisando mais de perto essa tal crise, não é difícil de compreendê-la. Basta desligar a televisão, deixar de ler revistas e jornais especulativos e sensacionalistas e buscar a solução nos clássicos do pensamento humano. Todo problema carrega em si mesmo a gênese da solução.

O sistema capitalista chegou ao seu último estágio de desenvolvimento e não foi agora. Esta fase de putrefação iniciou-se com o imperialismo antes mesmo da primeira guerra mundial e se estendeu por todo o longo do século 20 resultando em duas guerras mundiais bestiais e a guerra fria onde os interesses imperialistas do capitalismo interviu de maneira violenta e desumana em todos os países que ainda não haviam consolidado como nações independentes.

A revolução burguesa do século 16 não libertou todas as pessoas da sociedade, apenas os próprios burgueses, os futuros espoliadores dos povos. Aos trabalhadores, restou somente o direito de ser livre para venderem a única coisa que possuíam: a sua força de trabalho. O capitalista tomou tudo para si: terras, fábricas, lares e a maior parte do trabalho do ser humano. Monopolizou o direito ao direito, criou leis para amordaçar o povo; criou meios de entretenimentos para idiotizar o povo; criou um sistema político “democrático” para enganar o povo; criou a polícia e o exército para proteger a propriedade privada (a deles é lógico), porque para o povo é crime possuir um pedaço de terra; criou também as crises econômicas para poder queimar o excesso de produtos e assim, forçar o aumento do preço dos mesmos enquanto milhares de trabalhadores ficam desempregados. Enfim, O problema do capitalismo é o próprio capitalismo. Enquanto houver um sistema onde poucos lucram e milhares vivem em péssimas condições de vida as crises estarão cada vez mais presentes e impetuosas com os trabalhadores.

E qual é a papel do sindicato? Nada mais que organizar as massas trabalhadoras das diversas categorias contra esse sistema. Lutar para elevar o nível de consciência política dos trabalhadores, avançar nas lutas não somente no campo econômico (salários), mas ir além do problema, buscar a raiz da doença e cura-la de maneira definitiva. A principal função do sindicato não é só defender de forma coletiva os interesses dos trabalhadores frente à exploração do patrão, mas ir além dos muros da ignorância e da alienação. Em resumo, ajudar a acabar com esse regime que sobrevive por meio da exploração do homem pelo homem.

Sobre as formigas, não há muito que escrever, elas apenas seguem trabalhando e trabalhando. Seguindo simplesmente o instinto natural de nascer, crescer e morrer. Nada mais. Talvez se elas tivessem consciência que são milhares...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sem organização, consciência e luta não haverá salário digno!


Por Wilson Santos, 18/01/10.

Mais uma campanha salarial termina e novamente o placar termina 1 x 0 para os patrões. Depois de várias reuniões onde o SNA iniciou a campanha pedindo 10% de reposição salarial, o SNEA, Sindicato patronato, bateu o martelo e mesmo apesar da ameaça de greve por parte do Sindicato Nacional dos Aeroviários, o dissídio para o ano de 2010 ficou definido como 6% de aumento nos salários para os aeroviários da aviação comercial e apenas 4,2% para os trabalhadores do setor de táxi aéreo.
Os patrões venceram mais uma vez. Impuseram a sua vontade e seguirão mais um ano explorando os trabalhadores e trabalhadoras pagando baixos salários, aumentando a carga de trabalho e promovendo todo tipo de ameaças contra o real valor da força de trabalho não pago por meio da espoliação.
Ao mesmo tempo, um terremoto de críticas contra a ação do sindicato dos trabalhadores ecoa pelos saguões dos aeroportos e nas oficinas das empresas de manutenção. Tal falácia reafirma duas coisas importantes: 1 - que os trabalhadores estão atentos a quase tudo ao seu respeito; 2 - infelizmente ainda demonstram uma péssima característica herdada da época da ditadura militar: o medo de se organizar e avançar contra o capital.
O Dieese, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, estima que o real valor do salário mínimo deveria ser R$ 2.065,47 (O Aeroviário, # 2 nov/dez) conforme estabelecido na Constituição Federal do Brasil (no parágrafo IV do artigo 7º descreve que o salário mínimo deve ser "fixado em lei, nacionalmente unificado" e "capaz de atender" as necessidades "vitais básicas" do trabalhador ou trabalhadora e "de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo"). Então do que reclamam os patrões se os fora-da-lei são eles?
Segundo Karl Marx, em “O Capital – Crítica à Economia Política”, o salário pago aos trabalhadores pelo patrão é como o valor pago a uma mercadoria qualquer. A diferença essencial é que somente o trabalho humano é capaz de criar valores, ou seja, produzir riqueza. E é justamente essa a característica fundamental da necessidade dos patrões pagarem tão pouco os trabalhadores, a quantidade de riqueza produzida por estes trabalhadores supera o valor da sua força de trabalho e esse valor, que Marx chama de mais-valia, fica no bolso dos donos das empresas. Em resumo, quanto menor o salário pago (apenas o suficiente para que o trabalhador siga sobrevivendo) e maior a produtividade, mais riqueza os patrões acumulam.
Analisando profundamente essa realidade, percebe-se o quanto o salário dos trabalhadores é baixo, ao contrário da riqueza dos patrões que teve o patrimônio médio do setor saltando de 541 mil reais em 2000 para 4 milhões em 2007. “Houve um crescimento de 630%” (http://www.sna.org.br/noticia.php?id_not=110). A frustração toma conta de todos os aeroviários e aeroviárias, já que as dificuldades do sistema capitalista continuarão impedindo-os de alcançar uma vida mais digna, enquanto os lucros dos donos das empresas vão aumentando cada vez mais.
No entanto, a partir da organização dos trabalhadores em associações e sindicatos essa situação pode inverter. Conhecendo mais de perto o sistema capitalista, estudando com um olhar mais crítico e dialético chega-se a conclusão de que esse sistema é um sistema que distancia o trabalhador de uma vida socioeconômico estável, o tornado quase máquina. Basta se perguntar qual a última vez que você pôde fazer uma viagem de lazer com a família (ou mesmo ir ao cinema), ter o direito a uma casa digna, a um transporte decente, a um sistema de educação e saúde gratuito e de qualidade. Ao contrário, tudo é pago e o que trabalhador recebe pela venda de sua força de trabalho ao fim do mês mal dá para pagar as contas de água luz e alimentação.

Direitos não são concedidos, são conquistados! E é por meio da organização, consciência de classe e muita luta é que realmente será possível conquistar um salário e melhores condições de trabalho para viver decentemente. O medo criado nos escritórios dos patrões e espalhados por trabalhadores sem caráter faz tomar forma material levando muitos trabalhadores a silenciarem diante uma situação injusta de distribuição de renda. Os trabalhadores e trabalhadoras do mundo são maioria. “Uni-vos”.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Luta de Classes e Luta Política

Karl Marx

Abril 1847


Escrito em: abril de 1847

1ª Edição: julho de 1847

Tradução de: (?)

Origem da presente transcrição: (?)

Transcrição de: amavelmente cedida por "O Vermelho" para Marxists Internet Archive, 2004

HTML por José Braz para Marxists Internet Archive, 2004.


A grande indústria aglomera num mesmo local uma multidão de pessoas que não se conhecem. A concorrência divide os seus interesses. Mas a manutenção do salário, este interesse comum que têm contra o seu patrão, os reúne num mesmo pensamento de resistência - coalizão. A coalizão, pois, tem sempre um duplo objetivo: fazer cessar entre elas a concorrência, para poder fazer uma concorrência geral ao capitalista. Se o primeiro objetivo da resistência é apenas a manutenção do salário, à medida que os capitalistas, por seu turno, se reúnem em um mesmo pensamento de repressão, as coalizões, inicialmente isoladas, agrupam-se e, em face do capital sempre reunido, a manutenção da associação torna-se para elas mais importante que a manutenção do salário. [...] Nessa luta - verdadeira guerra civil -, reúnem-se e se desenvolvem todos os elementos necessários a uma batalha futura. Uma vez chegada a esse ponto, a associação adquire um caráter político.

As condições econômicas, inicialmente, transformaram a massa do país em trabalhadores. A dominação do capital criou para essa massa uma situação comum, interesses comuns. Essa massa, pois, é já, em face do capital, uma classe, mas ainda não o é para si mesma. Na luta, [...], essa massa se reúne, se constitui em classe para si mesma. Os interesses que defende se tornam interesses de classe. Mas a luta entre classes é uma luta política.

[...]Uma classe oprimida é a condição vital de toda sociedade fundada no antagonismo entre classes. A libertação da classe oprimida implica, pois, necessariamente, a criação de uma sociedade nova. Pra que a classe oprimida possa libertar-se, é preciso que os poderes produtivos já adquiridos e as relações sociais existentes não possam mais existir uns ao lados de outras. De todos os instrumentos de produção, o maior poder produtivo é a classe revolucionária mesma. A organização dos elementos revolucionários como classe supõe a existência de todas as forças produtivas que poderiam se engendrar no seio da sociedade antiga.

Isso significa que, após a ruína da velha sociedade, haverá uma nova dominação de classe, resumindo-se em um novo poder político? Não. A condição da libertação da classe laboriosa é a abolição de toda classe, assim como a condição da libertação do terceiro estado, da ordem burguesa, foi a abolição de todos os estados [aqui, estado significa as ordens da sociedade feudal] e de todas as ordens.

A classe laboriosa substituirá, no curso do seu desenvolvimento, a antiga sociedade civil por uma associação que excluirá as classes e seu antagonismo, e não haverá mais poder político propriamente dito, já que o poder político é o resumo oficial do antagonismo na sociedade civil.

Entretanto, o antagonismo entre o proletariado e a burguesia é uma luta de uma classe contra outra, luta que, levada à sua expressão mais alta, é uma revolução total. [...] Não se diga que o movimento social exclui o movimento político. Não há, jamais, movimento político que não seja, ao mesmo tempo, social.

Somente numa ordem de coisas em que não existam mais classes e antagonismos entre classes as evoluções sociais deixarão de ser revoluções políticas. Até lá, às vésperas de cada reorganização geral da sociedade, a última palavra da ciência social será sempre: "O combate ou a morte: a luta sanguinária ou nada. É assim que a questão está irresistivelmente posta".